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Artigos  » Crónicas

Maria, a gatinha que escolheu morrer

5ª feira, 9 Dezembro de 2004, foi o dia em que a Maria nos venceu a todos e partiu.

Não partiu para um novo lar, como todos gostaríamos. Não partiu para junto de algum familiar da sua antiga dona, que num acesso de remorso tivesse decidido vir buscá-la ao sítio onde foi depositada. Não partiu para uma colónia protegida, onde pudesse gozar a liberdade.

Desistiu de viver e ganhou com a sua persistência e tenacidade o direito a um fim, a deixar de sofrer com o abandono, com a falta da dona que amava, da sua casa, do seu espaço, afinal, da sua vida.

Há ainda muitos que duvidam que os gatos possam morrer por tristeza, por solidão. Mas como duvidar se as histórias se repetem, são infelizmente tão reais e tão próximas?

Se testemunhamos o amor que eles nos dedicam, se sofremos quando nos deixam, porque não acreditar que também eles sofrem quando lhes faltamos?

Só quem nunca viu a tristeza que existe nos olhos dos gatos abandonados pode duvidar deste facto.

A Maria teve uma boa dona. Foi certamente uma gatinha muito amada e que sentiu de forma tão intensa a sua morte. Infelizmente para a Maria, não houve nem um familiar, nem um amigo, que em memória de quem partiu a tomasse sob a sua protecção. São tantos os animais a quem a morte dos donos deixa sem lar. Talvez alguns sejam realmente animais de donos tão sós, sem familiares ou amigos. Talvez que para esses a única saída seja mesmo o abandono num gatil.

Porque desengane-se quem pensa que ao levar o animal para o gatil fica com o problema resolvido. Como é que se sente um gato que toda a vida teve o conforto de uma casa, mimos, um dono, ao ser deixado num espaço desconhecido, com gente que nunca viu e algumas dezenas de gatos, alguns amistosos, outros nem tanto? Um sítio onde faz frio ou calor em excesso e as carícias são raras?

É fácil deixá-lo ficar, voltar as costas e pensar que vai ficar bem, ser bem tratado e vai arranjar um novo dono, aquele que quem o deixa não quis ser.

Há muitas histórias de sucesso, de gatos que rapidamente conquistaram um dono. Há também gatos que ficam meses e até anos no gatil e alguns morrem sem nunca ter voltado a saber o que é ver o sol sem ser através das grades do gatil.

E há os outros, “as Marias”, que simplesmente escolhem não ficar ali. Que se recusam a que aquilo seja a sua vida e por isso recusam a comida, recusam o tratamento, recusam respirar.

A Maria entrou há poucas semanas no gatil. E desde o primeiro momento que se recusou a aceitar o seu destino. Deixou de comer, ficou fraca, ficou doente. Apesar de todos os cuidados e atenções da veterinária e voluntários, nada parecia convencê-la a ter vontade de viver, de se tratar. Num último esforço, voluntárias levaram a Maria para uma Clínica onde esteve internada alguns dias. Tudo foi tentado, mas aquilo que a Maria verdadeiramente queria nós não tínhamos para lhe dar: a sua dona, a sua casa.

E nós, donos de gatos, sabemos como é difícil vencer a sua teimosia. Também aqui perdemos a batalha.

Teria a Maria sobrevivido se alguém próximo da sua dona lhe tivesse dado conforto e colo, ao invés de um lugar numa box gelada de um gatil? Não sabemos.

Teria a Maria sobrevivido se por sorte um dos adoptantes que visita o gatil a tivesse escolhido para sua companhia? Seria esse novo lar suficiente para que a tristeza e saudade fossem dando lugar a um novo amor pela nova família? Não sabemos.

Sabemos que “outras Marias” já passaram e superaram este processo. Há vários exemplos nas histórias de gatinhos adoptados na UZ. Quando encontram rapidamente um dono que os faça sentir novamente amados e desejados, conseguem ser felizes e dedicar-se ao novo dono.

Talvez também a sorte da Maria tivesse podido ser diferente.
Uma gatinha linda e doce, que escolheu morrer, porque a dor lhe era insuportável.

Possa ao menos esta morte servir para que outros gatinhos não tenham que passar pelo abandono. Porque esse desgosto pode matá-los.


Autor: os muitos amigos da Maria que lutaram por ela

- xamir (Adélia Costa) [ Europe/Lisbon ] 2004/12/12 22:48

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» MikoAzul ( Rosa Caldeira) » [ Europe/Lisbon ] 2006/07/25 17:22
:*(

» Bazan ( Ana Bazan) » [ Europe/Lisbon ] 2005/06/13 22:32
É de se ficar sem palavras, quanto mais não seja porque as lágrimas me cairam pela cara ao ler este testemunho......lutemos todos para que casos destes sejam cada vez mais raros

» Sccg ( Sandra Guerreiro) » [ Europe/Lisbon ] 2005/06/13 12:16
Um testemunho muito triste. Gostaria muito que fosse possive tocar no coração das pessoas que abandonam friamente os animais. Mas infelizmente não toca a todos, infelizmente muitos animais sofrem com a insensibilidade dos donos. Se nós sofremos com o abandono ou a perca de alguém da nossa familia o que impede um animal de também sentir.
Isto deixa-me muito revoltada.

» Kya ( Erika) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/23 12:39
Já tinha lido histórias terríveis sobre gatos (e outros animais) que se deixam morrer, nitidamente, por desgosto. Por isso, quando dei a Miúda à minha avó, que tem 78 anos, assumi plenamente o compromisso de ficar com a gata se a minha avó morrer antes dela. Nem a minha avó a adoptaria sem essa condição! Não sei como é que há gente capaz de abandonar assim um animal, sabendo que também ele chora a morte do dono... parte-se-me o coração sad.gif Sê feliz, agora, Maria...

» Becas ( Fernanda Ferreira) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/20 14:47
Uma história triste sad.gif
A história da Maria foi ontem noticia no Jornal A Capital (http://www.acapital.pt/). Se fizerem uma pesquisa no arquivo no site da Capital, por Maria na edição de ontem (19-12-2004) encontrarão lá uma notícia com o nome "O destino de Maria: uma história de abandono"

» mnegrao ( maria helena) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/18 05:32
A Maria só pode estar junto da sua Dona, se assim não fosse nada faria sentido! Reencontrou finalmente a ternura do colo amigo. Está Feliz!!! Seja este o nosso conforto.
Faz hoje uma semana que fui buscar a gatinha azul, a "Blue", que se encontrava abandonada, e que a D.Odete recolheu até eu aparecer. A Blue é uma jovem gatinha, que, estou eu a adivinhar, por não ser uma Chartreaux pura, terá sido abandonada. No entanto a Blue é lindissima, muito meiga, mas muito assustada. Passei a semana junto dela o mais tempo possível, acariciando-a e transmitindo-lhe segurança. Já me dá asperas lambidelas e permite-me que lhe faça festas na barriga, coisa impensável no dia que a fui buscar. A Blue já faz parte da minha família e da minha vida, adoro-a.
Quando olho para ela lembro-me de tantas "Marias" que não têm a sua sorte, e penso no medo, no frio, na fome, que muitas passam, e esse sentir faz-me inundar de carinho pela Blue.
Que este exemplo acalente os corações dos muitos amigos da Maria.

» mclarabracinha ( Maria Clara Bracinha) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/17 18:25
Fiquei muito comovida com a pouca sorte da Maria,por vezes também penso ...se me acontecer alguma coisa o que será do meu Tim-tim e da minha Perestroika,que são uns meninos tão mimados...

» jcnogueira ( nogueirajc) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/16 09:32
Não sei o que dizer, fiquei com as lágrimas nos olhos. A solidão mata.

» rita.xavier ( Ana Rita Freitas Xavier) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/15 09:34
Esta menina era aquela que estava na Drª Carla, a quem a Atlantic e a Elsa levaram franguinho cozido?? Espero que não!
Eu não conheci a Maria (excepto se ela for a que eu estou a pensar), mas ela tomou a decisão certa, porque a solidão e a sensação de abandono deve ser insuportável. Onde quer que estejas Maria, lembra-te de todo o amor que a tua dona te dava! Esse sim era o amor verdadeiro! smile.gif

» filipavilhena ( Filipa Vilhena) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/14 18:36
Coitada da Maria ... estou muito comovida e impressionada com o testemunho do seu infortúnio.
Realmente os animais são como nós, e nos sentimentos são nobres, amam e sentem saudades...

» ZicaCabral ( Zica CAldeira Cabral) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/14 17:03
fiquei ultra comovida e arrepiada com o artigo. Está fantastico. Coitadinha da Maria.Má sorte ter morrido depois da dona. Mas agora está ao pe dela no ceu. As duas juntas e felizes.
Os gatos sofrem tanto como so seres humanos ou mais porque não se podem expressar e tb não compreendem o abandono. No caso de morte dos donos é igual porque tb não entendem a Morte.......só saberm que já não têm a fonte de amor a que foram acostumados e que se acostumaram a amar tb

» Ana Ramos ( Ana Ramos) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/14 12:15
E quem se lembra do Kiko o gato adorado que qd o vi a emegrecer trouxe logo mas tarde demais? E tantos outros que antes até do site existir se chegaram a entubar a custas da Piolha. Alguns salvaram-se outros não... demasiados não. O adorado Kiko não.

» Lecas ( Cristina Formoso) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/14 10:06

Descansa em paz

» JoanaEspiritoSanto ( euzinha) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/14 00:27
Eu chorei mesmo... a minha mãe mesmo muito doente e a ser consumida por um maldito cancro que a levou com 53 anos apenas, continuou a dedicar-se aos animais de coração. Deixou-nos a nós filhas e aos sobrinhos um grande amor pelos nossos "pequenos" companheiros. Vivo agora o drama de viver com demasiados gatos em casa e uma cadela, não é por falta de amor que procuro novos donos para eles... alguns ajudei-os a nascer... mas é por amor... por não lhes poder dar o amor que a minha mãe lhes dava, por ter de trabalhar e estudar para segurar a casa e não ter tempo... Joana Espirito Santo - Deixo aqui tb o meu apelo - mariazinhalinda@hotmail.com

» SilverNymph ( Nídia dos Reis) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 23:07
Deu-me vontade de chorar. Lembrei-me de uma gatinha que a minha mãe tinha e que eu adorava, a Shiva, e ela de um dia p o outro desapareceu, não sei onde a minha mãe a levou e penso muitas vezes que deve sentir todos os dias este abandono. Divulguem o mais possivel este artigo, pode ser que estas histórias toquem finalmente quem não tem coração. Só tenho vontade de chorar.

» angel_2 ( Ines Costa) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 20:26
A história é imensamente trsite....sad.gif mas temos k ver k é a realidad hj em dia....a história da Maria fex com k ficasse...enfim...sem palavras para as pessoas k abandonam os animais...sad.gifsad.gif

» selenis ( Rute) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 20:11
nem sei o que dizer... fico muito triste de saber esta situação, porque sim, os animais cometem suicidio, desengane-se quem pensa o contrario, porque são tao capazes de decidir que a vida nao vale a pena sem carinho como sao de o dedicar completamente a alguem!

» atlantic ( Elisabete Feitoria) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 18:33
A ideia da Inês de que o artigo seja publicado na "Todos os Gatos" também é muito boa. Tenho a certeza de que a Xamir poderá propor isso mesmo à revista.
MUITO OBRIGADA POR ESTE ARTIGO MARAVILHOSO, e possamos nós salvar as outras duas gatinhas (a Penny e a outra tuga) que lá foram abandonadas no sábado, encontrando-lhes FAT... até as meninas recuperarem a alegria de viver.

» Alexandra Melo ( Alexandra Melo) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 17:51
Tou lavada em lagrimas sad.gif é mto triste...eu e o meu namorado fomos a UZ e adoptamos um gatinho adulto o Balu (k na UZ chamavam Ginja) foi-nos dito k a dona tinha morrido e o tinham deixado ali,ele agora ta mto bem mto feliz e mto mais meiguinho.Desde a ultima vez k fui a UZ, k foi kdo o adoptamos a 4meses, n m eskeço dos gatinhos lindos k la ficaram e c mta pena n pude trazer.A Maria deve tar num sitio mto melhor onde ja n sofre...Sera Maria k a tua morte servira p despertar consciencias?É o k todos nos, os k amamos animais esperamos!

» netinho ( Sílvia Neto) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 15:32
Só de TENTAR imaginar o sofrimento desta e de "muitas outras Marias" já deixa um vazio enorme dentro de nós sad.gif sad.gif
Prefiro pensar que agora, a Maria está lá em cima, no céu, com a sua dona tão querida.... wub.gif

» xamir ( Adélia Costa) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 14:40
Lembro-me tão bem da Faruka e da sua irmã. E do bilhete ternurento e comovedor que a dona escreveu, numa letra dificil, denotando a dificuldade de escrita, pedindo que a tratassem bem, dizendo que adorava ser escovada e receber miminhos. Esta é ainda outra forma mais cruel de abandono, que castifa os animais e os seus donos: como pode um filh@ "dar" os animais adoradas pelos pais, quando estes ainda estão vivos e a sofrer com o destino que eles vão ter?

» Rowan ( Ísis Calió) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 14:22
Lindo esse artigo... nós adoptamos uma gata (a Faruka) q ainda hj chama pela sua dona... q foi para um lar e os filhos assim q a mãe ficou mal logo despacharam todos os animais da senhora... hj já n é tão frequente.... mas foram muitas doses de mimos q conseguimos conquistar a "medrosa"... mas foi complicado para um animal q consegue uma casa... imagine para um q fica em um gatil.... Espero q as pessoas pensem melhor antes de fazerem coisas desse nível... ainda mais com animais q já n são assim tão novos....

» catlover ( Gina Pegado) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 12:50
Concordo com a Inês. Seria óptimo se este artigo fosse publicado, p.ex. no Correio da Manhã na coluna de animais. Há que sensibilizar as pessoas! Excelente artigo Adélia.

» nany ( ana maria da costa esteves) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 12:33
Finalmente a dor foi embora, não é maria?

» inesss ( Inês Fernandes) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 12:01
Ajudava se fosse publicado num jornal e/ou na revista "Todos os gatos"...

» Scarlet ( Isabel C.) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 10:54
Porque é que este artigo não aparece destacado na página de abertura do site como os outros? Assim, pouca gente o vai ler sad.gif

» Scarlet ( Isabel C.) » [ Europe/Lisbon ] 2004/12/13 00:09
Está perfeito, Adélia! wub.gif Já estou, outra vez, de lágrimas a escorrer pela cara abaixo, mas confiante que, quando o mesmo começar a acontecer com as outras pessoas que lerem este texto, as coisas vão, lentamente, começar a mudar
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