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Entrevista ao Grupo Bichanos do Porto




O Bichanos do Porto é um projecto de um grupo de amigas com uma paixão comum: gatos. Lidam, quase diariamente, com situações de abandono e maus-tratos aos animais, não podendo ficar indiferentes. Apesar de não serem uma associação, nem sequer terem espaço próprio, tudo aquilo que fazem é fruto de esforços pessoais, a todos os níveis, bem como da boa vontade de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, vão contribuindo. Sónia Rodrigues, membro do grupo, explica-nos o fundamental sobre este projecto.









Em que consiste o projecto Bichanos do Porto?

Autor: Sónia Sá
Sónia Rodrigues, membro do Grupo Bichanos do Porto


O projecto consiste em ajudar gatos de rua, mas a nossa ajuda pode traduzir-se em diversas formas. A ajuda tanto pode ser no terreno como em conselhos. O que é importante é que os animais em risco fiquem, de alguma forma, mais resguardados dos perigos. Só para lhe fazer uma pequena história do nosso projecto, o nosso projecto surge quando, há cerca de três anos, apareceu um apelo para cerca de cinquenta animais cujos donos iam ser desalojados. O destino desses animais foi o canil municipal. Apesar da disponibilidade de muita gente que se foi mobilizando, juntamente com a ajuda de uma juíza, conseguiu-se salvar a maior parte, tendo alguns morrido no canil devido às péssimas condições em que os animais eram, e continuam a ser, mantidos. Quando o apelo foi lançado, a malta que era aqui do Porto foi-se mobilizando para conseguir FAT’s, aquilo que nós chamamos de Famílias de Acolhimento Temporário, para os gatos que iam sendo retirados do canil. E foi assim que foi nascendo esta amizade. Os cerca de dez elementos que compunham o grupo trocavam informações por e-mail, o que acabava por não ser muito produtivo, até que alguém se lembrou de criar um grupo para tornar a conversação mais eficaz, organizada e sintonizada.





Quais são os principais objectivos deste projecto?

O ideal era que grupos como o nosso não tivessem razão de existir, mas isso é um sonho que nós nem nos atrevemos a pensar. O nosso principal objectivo é salvar animais.

Porque escolheram os gatos?

Porque é uma paixão comum a todos os elementos do grupo e porque todas temos gatos e somos mais sensíveis à espécie.

Quais as acções desenvolvidas pelo grupo?

O grupo, quando resgata animais de rua, aquilo que pretende fazer é arranjar-lhes uma família para toda a vida. Portanto, a nossa acção é arranjar uma casa para o animal e fazer com que ele tenha uma qualidade de vida maior até aos seus dias.

Sente que em Portugal as pessoas dão o devido valor aos animais?

Claro que não! E esquecem-se que eles têm sentimentos tal como nós. O ser humano não é um ser solitário por natureza e devia pensar mais vezes nisso sempre que abandona um animal à sua sorte.

É sabido que no Verão o número de animais abandonados aumenta. Sente que a situação tem vindo a melhorar?

As pessoas não são muito sensíveis aos apelos. Aquelas que maltratam ou destratam animais vão continuar a existir, acho que é sobretudo uma questão de educação. Enquanto não encararem o animal de estimação como um membro da família, para o bem e para o mal, nada mudará. A questão das férias é sempre problemática para muita gente, mas não é um problema insolúvel. Há pessoas que prestam serviços de pet-sitting a preço razoáveis. Há sempre um membro da família mais disponível ou um . vizinho de confiança. Se as pessoas realmente estimarem os animais, as soluções aparecem.


Considera que os actos de violência praticados contra os animais deviam ser punidos de forma mais pesada?

Se fossem realmente punidos talvez a consciência fosse outra.

Têm sentido apoio por parte das autoridades oficiais?

Os Bichanos do Porto não são uma associação, são um grupo de amigas com uma paixão comum que, em regime de voluntariado, tentam sensibilizar as pessoas para uma realidade à qual não podem virar as costas. Temos o apoio de todas as pessoas que, como nós, acreditam na nossa causa.


Quais as maiores dificuldades que sentiram até hoje?

Bem, a nossa maior dificuldade é o dinheiro para fazer face às despesas, despesas sobretudo em veterinários. E outra das grandes dificuldades que nós temos é locais para albergar os animais temporariamente, enquanto não arranjam um lar definitivo.

Na sua perspectiva, quais seriam as soluções para estas dificuldades?

Não diria propriamente soluções porque as dificuldades vão existir sempre. O nosso objectivo não é esterilizar todos os gatos de rua que nos aparecem pela frente, pois não teríamos capacidade financeira para suportar tais custos. Mas custa-nos muito ver uma gata, que tem dono, que é abandonada só porque está prenha. Se o seu dono tivesse tomado as medidas necessárias tal não acontecia. Já basta para isso os animais errantes. Cada gata pode ter no mínimo vinte gatos por ano e esta multiplicação não tem fim.

Criaram um blog através do qual vendem variadas peças de artesanato. Qual o vosso objectivo?

Autor: http://artesanato-bichanos-do-porto.blogspot.com/
Exemplo de Peça de artesanato


O objectivo é ajudar a suportar as despesas. Com esta venda de artesanato, cujo dinheiro reverte na íntegra para os animais, conseguimos chegar um pouco mais longe e ajudar mais casos. De alguma forma nós queríamos recompensar as pessoas que nos ajudam. Uma vez que as pessoas muitas vezes fazem donativos, sentimo-nos na obrigação de provar às pessoas que aquele dinheiro que nos estão a dar não é para nós, é para ajudar animais. Já quando o blog fez um ano de existência nós tivemos o cuidado de fazer uma estatística de tudo aquilo que tinha sido a nossa vida no último ano: Animais resgatados, quantos animais tínhamos resgatados, quantos animais arranjaram dono, quanto dinheiro gastámos em areia, desparasitantes, veterinários… Para as pessoas de alguma forma sentirem que nós não as estamos a defraudar. Há uma causa, nós estamos a lutar por ela e todas as pessoas que nos ajudam estão a ser recompensadas também pelo seu esforço.


Há quanto tempo foi criado?

Como o nosso grupo solicitava muita ajuda, achamos que era importante criar blogs, um para os casos que foram aparecendo de animais e outro blog de artesanato onde nós podíamos suportar as nossas despesas. O blog dos casos do Bichanos do Porto existe há cerca de ano e meio, dois anos e, por altura do aniversário de um ano, fizemos um balanço da nossa actividade nesse último ano. Reunimos toda a informação, desde quantos gatos tínhamos dado, quantos gatos tínhamos recolhido, onde é que nós tínhamos gasto aquele dinheiro todo das pessoas que tinham estado a ajudar até agora… De alguma forma para prestar contas a todos os nossos apoiantes. Achamos que era uma forma interessante das pessoas perceberem que nós somos pessoas de bem, de confiança e de que aquilo que nos tinham dado era por uma causa e ali estava espelhado todo o nosso trabalho.





As pessoas têm aderido bem a esta vossa iniciativa?

Felizmente ainda há muita gente que estima tão bem os animais como nós, é sensível a esta causa e ajuda-nos sempre e como pode. Porque é isso que se pretende… Não é as pessoas ajudarem muito. Se as pessoas ajudarem só um bocadinho, se todos ajudarem só um bocadinho, nós conseguimos fazer muito mais.

Desde que iniciou este projecto, qual a história que mais a marcou?

Autor: http://bichanosdoporto.blogspot.com/
Esperanza


Definitivamente a história da Esperanza, uma gatinha que foi atropelada e que acredita-se que tenha sido arrastada por um carro e que sofreu horrores até a conseguirmos resgatar. Foi uma verdadeira lição de vida, mas que infelizmente não acabou da melhor maneira. A história percorreu Portugal inteiro, houve uma onda de solidariedade muito grande. Toda a gente tinha esperança que ela sobrevivesse mas infelizmente isso não aconteceu.





É difícil não se apegar aos animais?

Gostar de animais é gostar deles independentemente da cor ou da forma. Mas há gatos que nos marcam mais do que outros, quer por serem mais bravos ou por serem mais meigos. Mas o objectivo final é proporcionar-lhes uma boa vida e só o conseguiremos fazer se percebermos quais são os nossos limites. Custa sempre dar um animal, mas acreditamos que as pessoas vão dar continuidade ao nosso trabalho.



Quais os “requisitos” necessários para que uma pessoa adopte um dos gatos que estão ao vosso cuidado?

O adoptante terá que nos dar garantias de que tudo fará para providenciar o bem-estar, comida e cuidados médicos ao animal que lhe for entregue. Nós não damos gatos por dar. A ideia não é despachar gatos, se me permite esta expressão. O que nós queremos, e como nos empenhamos tanto a nível pessoal com esta causa, queremos é que as pessoas estimem os animais como se eles estivessem ao nosso cargo. Nós investimos numa ração de qualidade para que eles sejam saudáveis. Nós damos sempre animais saudáveis. Não existem casos em que nós tenhamos dado um animal doente, não é isso que se pretende, nós tentamos dar os animais saudáveis. E tentamos que as pessoas dêem continuidade ao nosso trabalho. É muito importante que o animal se sinta acarinhado porque se assim não fosse nós também não o poderíamos ter dado, não é? Deixávamo-lo na rua à sua sorte.

Como é que alguém pode contribuir para a vossa causa?

Para contribuir para a nossa causa as pessoas podem adquirir as peças no blog, podem fazer donativos em dinheiro ou em géneros. Desparasitantes internos, externos, comida, areia… Nós aceitamos de tudo um pouco. Quando nós nos empenhamos nesta causa começamos a perceber que às vezes as pessoas, quando têm um problema, pedem-nos ajuda e a ajuda delas é passar o problema para nós. Não é isso que se pretende. Nós podemos ajudar de alguma forma, incluindo conselhos. Quando alguém aparece e diz “eu tenho uma colónia de rua, vocês querem vir cá?”… Não, nós não queremos ir lá. Mas queremos sim ajudar a pessoa a solucionar o caso. O objectivo não é tirar todos os animais da rua, que isso é impossível. Mas é, pelo menos, conseguirmos controlar o nascimento de mais animais. Porque mais animais geram mais animais e mais animais. Se a pessoa diz “eu tenho uma colónia atrás da minha casa, como é que eu posso fazer?”… Aí sim nós podemos arranjar forma de ajudar a pessoa a tratar da colónia de forma a castrá-los. E então aí sim minimizar um problema porque também é sabido que há pessoas que são muito pouco sensíveis aos animais e que quando vêem um grande número de animais por colónia, resolvem o problema envenenando-os. Por exemplo, há muitos casos assim. Não é isso que se pretende. Pretende-se sim é que o ecossistema não seja alterado, mas que também não hajam tantos gatinhos pequeninos por aí fora a morrer atropelados, a serem comidos por cães, porque não há necessidade. Se pelo menos nós esterilizarmos os animais que estão perto de nós, essa situação pode ser acautelada.



- sanxeri (Sónia Sá) [ Europe/Lisbon ] 2007/11/07 12:12

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» Galileu ( Patrícia Félix) » [ Europe/Lisbon ] 2007/11/08 19:18
Bem haja aos "Bichanos"...
A história da Esperanza também me marcou, ela não devia ter morrido... sad.gif
Parabéns pelo vosso trabalho!
Não pertenço a nenhuma associação mas o que depender de mim, ajudarei sempre os nossos Amigos de 4 patas.

» cristinamorim ( Cristina Amorim) » [ Europe/Lisbon ] 2007/11/07 21:54
Está a decorrer uma petição para os animais de companhia sejam castrados. Será que os Bichanos do Porto concordam?
http://bonecosdepano.blogspot.com/

» Snnopa ( Ana Duarte) » [ Europe/Lisbon ] 2007/11/07 15:25
Bom trabalho de ambas!
A Esperanza. sad.gif heart.gif

» Kitty_Oliveira ( Cristina Oliveira) » [ Europe/Lisbon ] 2007/11/07 13:15
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